As melhores formas de procurar emprego na Guiné-Bissau (e como ser realista)
O choque com a realidade do recrutamento
Muitas pessoas chegam à internet para procurar o "grande site de empregos da Guiné-Bissau" onde todas as vagas estariam publicadas. A verdade dura, mas necessária? Ele não existe. O mercado de trabalho guineense é pequeno, altamente relacional e funciona num modelo misto, onde a formalidade coexiste com circuitos altamente informais.
Para não gastar tempo à procura no sítio errado, é preciso conhecer a realidade de Bissau (e do interior). Neste guia, mostramos exatamente onde estão as oportunidades e como aceder a elas sem ilusões, maximizando as suas reais hipóteses de ser contratado, tal como abordamos em detalhe no nosso guia alargado sobre como encontrar emprego em Bissau.
1. Grupos de Facebook e WhatsApp: A principal artéria
No universo digital guineense, os portais de emprego (sites clássicos onde envia o seu CV) têm pouquíssima tração. A esmagadora maioria das oportunidades profissionais, inclusive de grandes instituições e do setor privado formal, circula pelo Facebook e, de imediato, espalha-se pelos grupos de WhatsApp.
- Como usar a seu favor: Pesquise ativamente no Facebook por grupos fechados ou abertos com termos como "Emprego na Guiné-Bissau" ou "Vagas em Bissau". Muitos quadros técnicos das ONGs partilham lá oportunidades genuínas.
- O perigo real: As redes sociais são também o maior terreno de fraude do país. Mantenha os olhos bem abertos! Se uma oferta exigir dinheiro por uma "entrevista", por "fardamento", ou se o email de contacto acabar em
@gmail.comem vez do domínio da empresa, afaste-se.
2. O Método Físico: Os Quadros de Avisos
Pode parecer ultrapassado noutras partes do globo, mas em Bissau, a leitura de quadros físicos (os placards das instituições) é um ritual semanal obrigatório para quem procura colocação nas áreas de cooperação e organizações internacionais.
Grandes ONGs, as diversas agências das Nações Unidas e missões diplomáticas (como a da União Europeia) costumam afixar em papel as vagas abertas nos portões das suas sedes ou em edifícios conhecidos (por exemplo, no Ministério da Administração Pública para assuntos de Estado, ou nas sedes da UNICEF e PNUD).
- O que fazer: Estabeleça um roteiro. Duas vezes por semana, dedique uma manhã a passar de táxi (toca-toca) ou de mota pelas sedes das organizações para fotografar as vagas recentes e anotar o número da referência, antes mesmo delas chegarem aos grupos de WhatsApp.
3. O Setor do Comércio: Candidatura em Mãos
Para as centenas de lojas comerciais geridas muitas vezes por empresários locais ou estrangeiros (comunidades da África Ocidental ou de origem asiática e libanesa) no centro de Bissau e nos mercados centrais como o Bandim, o modelo é estritamente presencial.
Ninguém num minimercado, loja de peças de carro ou restaurante vai ao LinkedIn recrutar.
- O método: Vá pessoalmente. Apresente-se limpo, bem-falante, peça para falar com o gerente ou dono. Com um cumprimento educado, entregue o seu currículo impresso. Diga o que sabe fazer de forma direta. Num mercado pequeno onde tudo se sabe e tudo se decide pela "confiança", este contato ocular imediato é o que decide a sua sorte no próprio dia.
4. O Sistema de Networking Pessoal e Profissional
Na Guiné-Bissau, "quem indica" tem um peso desmesurado. E isto não deve ser visto necessariamente de forma negativa, mas sim compreendido como um mecanismo de validação num mercado que desconfia (com razão) de perfis desconhecidos.
- A palavra de confiança: Um antigo chefe, um líder comunitário ou um professor do seu curso profissional a dar boas referências sobre si a um gerente vale mais do que dez páginas de currículo enviadas por e-mail. Avise todas as pessoas do seu círculo social (sério e com bons contactos) que está à procura de emprego numa área específica.
Prepare-se antes de encontrar o canal
Não importa por que via encontra o emprego, a regra máxima em Bissau mantém-se: as janelas de recrutamento abrem e fecham muito rapidamente (muitas vezes os avisos de ONGs estão colados apenas durante 5 dias úteis).
A pior situação possível é ver o anúncio de um concurso e perder o prazo porque o seu dossiê estava desorganizado. Use a plataforma Monta meu currículo? agora mesmo, antes sequer de ter uma vaga em mente, para deixar o seu documento atualizado de forma gratuita, pronto a ser descarregado para PDF no seu telemóvel e enviado de imediato num grupo de WhatsApp.
Perguntas frequentes
Existem sites ou portais confiáveis de emprego na Guiné-Bissau?
Existem algumas páginas isoladas, mas a sua frequência de atualização é baixíssima e não representam sequer uma pequena fatia do mercado de trabalho. A maioria das vagas oficiais estão nos grupos de Facebook especializados e nas páginas oficiais das agências.
É seguro enviar o meu currículo por WhatsApp para alguém que postou uma vaga?
Se a pessoa que partilhou for da sua extrema confiança, sim. Caso contrário, se for um desconhecido num grupo público, o ideal é telefonar primeiro, e nunca enviar pelo WhatsApp documentos com dados bancários, número do Bilhete de Identidade ou os diplomas originais.
Que locais físicos em Bissau devo visitar para procurar anúncios?
Recomenda-se visitas aos quadros de avisos do Ministério da Função Pública, do PNUD (e agências da ONU), do recinto da delegação da União Europeia, da Câmara Municipal de Bissau e da Universidade Amílcar Cabral (que frequentemente partilha oportunidades académicas ou programas de capacitação).
Como abordo o dono de uma loja comercial ao entregar o currículo?
Seja educado e direto. Espere o gerente estar livre (nunca interrompa o atendimento a um cliente). Dirija-se a ele/ela com respeito (bom dia, boa tarde), refira que tem interesse em trabalhar para a sua casa pela boa reputação da mesma, entregue o papel e sublinhe que está à disposição imediata.