Mentir no currículo ou na entrevista em Angola: riscos e como valorizar a verdade
A tentação de "aumentar" o currículo
Com a dificuldade em arranjar emprego em Luanda, Benguela, Huambo ou no Lubango, muitos candidatos sentem a pressão de inventar ou exagerar competências no currículo. Pode ser a tentação de acrescentar uma licenciatura que ficou a meio, inventar uma experiência de trabalho numa grande empresa que nunca existiu, ou até forjar certificados de formação.
Contudo, mentir no currículo ou numa entrevista de emprego em Angola é um risco enorme. Num mercado de trabalho que ainda funciona muito à base do "passa-a-palavra" e de referências, uma mentira descoberta pode manchar a sua reputação profissional para sempre.
Os riscos reais de mentir no processo de seleção
1. O mercado é mais pequeno do que parece
Em setores como a banca, telecomunicações, petróleo e gás (oil & gas) ou até na construção civil e obras públicas, os recrutadores e gestores de Recursos Humanos falam entre si. Se for apanhado a mentir num processo seletivo para uma vaga na Sonangol ou na Unitel, por exemplo, o seu nome pode ficar "queimado" também noutras empresas do mesmo setor.
2. Testes práticos desmascaram rapidamente
Pode escrever no currículo que domina Excel Avançado ou que tem fluência em inglês. Mas se na entrevista o recrutador mudar para inglês, ou lhe pedir para resolver uma folha de cálculo no computador, a verdade vem ao de cima em poucos minutos. A vergonha de não saber fazer aquilo que prometeu é pior do que assumir logo à partida que tem apenas conhecimentos básicos.
3. Justa causa para demissão futura
Se for contratado com base numa mentira (por exemplo, falsificação de um diploma universitário) e a empresa descobrir isso meses ou anos mais tarde, isso constitui justa causa para despedimento, segundo a Lei Geral do Trabalho de Angola. O resultado é a perda do emprego sem direito a indemnização, além do peso no cadastro profissional.
Como valorizar a verdade no seu perfil
Em vez de mentir, aprenda a apresentar a sua experiência real de forma profissional. Eis o que os recrutadores angolanos valorizam:
Valorize o biscate e a experiência informal
Se passou dois anos a fazer biscates ou a trabalhar na cantina da família, não precisa de inventar que foi "Gestor Comercial" numa empresa fantasma. Descreva a sua experiência informal com clareza:
- Venda ambulante e gestão de caixa.
- Atendimento ao público e controlo de stock no negócio familiar.
Os recrutadores, especialmente no INEFOP ou portais como o Jobartis, sabem que o mercado informal é uma escola dura e valorizam quem tem resiliência e iniciativa.
Assuma a falta de experiência com vontade de aprender
Para o primeiro emprego, não invente cargos. Foque-se em competências comportamentais (soft skills). Fale sobre o seu compromisso, pontualidade, trabalhos de escola ou atividades na igreja e no bairro (onde pode ter desenvolvido capacidades de logística e coordenação).
Diga a verdade sobre a sua disponibilidade (e estudos)
Se está no 2.º ano da universidade no período noturno, diga exatamente isso. Alguns recrutadores podem hesitar, temendo que os exames interfiram com o trabalho. Apele à sua capacidade de gestão de tempo. Mentir sobre a sua disponibilidade e depois faltar ao trabalho para fazer provas é o caminho mais rápido para ser despedido.
Cuidado com quem pede dinheiro (Gasosa)
Por fim, uma regra de ouro em Angola: a honestidade deve vir de ambos os lados. Nenhum empregador sério ou agência de recrutamento idónea cobra dinheiro (a famosa "gasosa") para lhe garantir uma vaga, para processar o seu currículo ou para marcar uma entrevista. Se alguém lhe pedir dinheiro em troca de facilidades no recrutamento, afaste-se: é uma burla.
Também não coloque o seu número do Bilhete de Identidade (BI) logo no currículo. Reserve essa informação oficial apenas para quando for formalizar o contrato de trabalho, protegendo-se assim de possíveis fraudes com a sua identidade.
Conclusão
Ser honesto na procura de emprego pode parecer o caminho mais demorado, mas é o único sustentável. Valorize as línguas nacionais que fala (kimbundu, umbundu, kikongo, etc.), descreva os seus biscates com verbos de ação e mantenha o seu currículo de uma página sempre fiel à realidade.
Um currículo honesto e direto ao assunto é aquele que realmente recebe as melhores chamadas em Luanda. Crie o seu gratuitamente e sem complicações no Monta meu currículo.