Carta de apresentação em Portugal: como escrever (com exemplo)
A carta que quase ninguém escreve bem
Em Portugal, a carta de apresentação acompanha o CV em quase todas as candidaturas — e na maioria dos casos é um parágrafo genérico que o recrutador salta. É exatamente por isso que uma carta curta, específica e bem escrita se destaca: num mercado onde os anúncios do Net-Empregos e do IEFP recebem centenas de respostas, é o seu primeiro teste de escrita.
Com o email a substituir o papel, a carta portuguesa moderna é mais curta do que a tradição manda — mas a estrutura continua a contar.
A estrutura que funciona em Portugal
Hoje, a carta de apresentação é quase sempre o corpo do email de candidatura (ou um PDF curto anexo, se o anúncio o pedir):
1. Assunto do email — claro e completo: "Candidatura — Empregado de mesa (ref.ª 2026/44) — João Martins". Com referência, se o anúncio a tiver.
2. Saudação — "Exmos. Senhores," ou, melhor, o nome: "Exma. Sra. Dra. Ferreira,". Em empresas mais informais (tecnologia, startups de Lisboa e Porto), "Boa tarde," é aceitável.
3. Três parágrafos curtos — porquê escreve, porquê você, disponibilidade.
4. Despedida — "Com os melhores cumprimentos," e o nome completo com contacto.
O parágrafo central faz o trabalho: a sua formação com os nomes certos (12.º ano, licenciatura, curso profissional), a experiência mais relevante — incluindo trabalho a recibos verdes ou sazonal, descrito com números — e os requisitos práticos do anúncio (carta de condução, turnos, línguas).
Para quem vem de fora: se o seu português é do Brasil ou de outro país lusófono, adapte o vocabulário (telemóvel, equipa, gerir) — a carta é onde a diferença mais se nota. E se o diploma estrangeiro já está reconhecido, diga-o na carta: resolve a primeira dúvida do recrutador.
Exemplo de carta de apresentação
> Assunto: Candidatura — Empregado de mesa (ref.ª 2026/44) — João Martins
>
> Exmos. Senhores,
>
> Venho apresentar a minha candidatura à vaga de empregado de mesa para o vosso restaurante no Chiado, publicada no Net-Empregos a 10 de junho de 2026.
>
> Tenho o 12.º ano concluído e três anos de experiência em restauração, dos quais duas épocas no Algarve, em salas de 80 lugares com serviço contínuo. Estou habituado a ritmo elevado, atendo com à-vontade em português, inglês e espanhol básico, e tenho disponibilidade total para horários por turnos, fins de semana incluídos.
>
> Fico ao dispor para uma entrevista quando vos for conveniente. Envio o CV em anexo e agradeço desde já a atenção.
>
> Com os melhores cumprimentos,
> João Martins
> 912 345 678 — [email protected]
Curta, concreta, sem floreados — é assim que se escreve para o mercado português.
Candidatura espontânea: a carta é tudo
Em Portugal, a candidatura espontânea é prática corrente e bem vista — e aí a carta deixa de ser acompanhante para ser protagonista. A diferença está no primeiro parágrafo: em vez de citar um anúncio, diga porquê AQUELA empresa: "Acompanho o crescimento da vossa cadeia no Porto e gostaria de integrar a vossa equipa de loja." O resto da estrutura mantém-se.
Os erros que eliminam
- A carta igual para tudo — sem o nome da empresa, lê-se à légua que é reciclada.
- Repetir o CV por extenso. A carta escolhe os dois melhores argumentos; o CV apresenta o resto.
- Erros de português — a carta é um teste de escrita; faça-a rever.
- Tratamento errado — "você" a abrir frases soa brusco em Portugal; prefira construções impessoais.
- Mais de meia página. Três parágrafos chegam.
Complete a candidatura com um CV à altura — veja o nosso guia do currículo em Portugal — e crie-o gratuitamente no Monta meu currículo?: no telemóvel, sem registo, sem custos.